Exmos. Srs.
Escrevo a propósito do livro MURAKAMI, Haruki (2006), Crónica do Pássaro de Corda, CASA DAS LETRAS/EDITORIAL NOTÍCIAS, Cruz Quebrada. Já li vários livros deste autor e desde o primeiro que li tornei-me fã. No entanto, sempre achei a linguagem um pouco estranha, ridícula por vezes, que não conseguia relacionar com o tipo de livro, autor, narrativa ou história. Encontrei expressões como por exemplo “pela parte que me toca” que a tradutora, Exma. Sra. Maria João Lourenço, usa repetida e erradamente ao longo de vários livros deste autor. A tradutora usa expressões portuguesas que só um falante da língua portuguesa poderia empregar, sempre me perguntei quais seriam as palavras em inglês que levariam um tradutor a usar tais expressões.
Assim, procurei um livro em inglês MURAKAMI, Haruki (2007) Blind Willow, Sleeping Woman, Vintage, London e logo entrei num mundo completamente diferente de todos os outros livros que tinha lido, em português, do mesmo autor. Mais sério, mais enigmático e subjectivo, não tão óbvio e saloio como a linguagem das traduções portuguesas. Pensei que, talvez, aquele livro tivesse sido escrito, propositadamente, de outra forma, pensei que tivesse sido intenção do autor atribuir um cunho diferente àquele livro.
Recentemente comecei a ler a Crónica do Pássaro de Corda e voltei a sentir o mesmo. Era um autor completamente diferente do de Blind Willow, Sleping Woman. Foi então que decidi procurar o mesmo livro em Inglês, a tradução oficial de Jay Rubin, e fazer a comparação. Foi assim que descobri que ando a ler um outro livro. Não estou a ler Murakami, estou a ler uma interpretação qualquer que vendem como se tivesse sido escrita por este autor.
Como podem verificar no exemplo a tradutora acrescenta coisas à edição portuguesa que não existem na versão em Inglês (vermelho), altera o nome as personagens (verde), frases simples transformadas numa trapalhada de repetições desnecessárias (cor-de-laranja) :
“Kano rang the doorbell at one o’clock on the dot. She looked exactly like her picture: a small woman in her early to mid-twenties, the quiet type. She did a remarkable job of preserving the look of the early sixties. She wore her hair in the bouffant style I had seen in the photograph, the ends curled upward. The hair at the forehead was pulled straight back and held in place by a large, glittering barrette. “ MURAKAMI, Haruki, The Wind Up Bird Chronicle Pag-50
“À uma em ponto, Creta Kano tocou à campainha. Era igualzinha à fotografia, sem tirar nem pôr. Pequena estatura entre os vinte e os vinte e cinco anos, com ar calmo. E, o que não deixava de ser extraordinário, arranjada dos pés às cabeça ao mais puro estilo dos anos sessenta. Se tivessem a filmar uma versão japonesa de American Garffiti, nem sequer precisava de mudar de roupa para lhe caber em sorte um papel de figurante. Tal como na fotografia, usava o cabelo ripado que eu vira na fotografia com as pontas viradas para fora, puxado para trás na testa e apanhado por uma bandelete larga e brilhante, igualzinha à da fotografia.” MURAKAMI, Haruki (2006), Crónica do Pássaro de Corda, CASA DAS LETRAS/EDITORIAL NOTÍCIAS, Cruz Quebrada –pag.95
A tradução é alterada deliberadamente e sem razão aparente como é possível identificar nos seguintes exemplos. Não entendo a razão pela qual a tradutora asubstitui a seu bel-prazer, o que foi escrito pelo autor, por outra coisa qualquer.
Exemplo:
“Uh-huh.”
“Very pretty,” he said.
MURAKAMI, Haruki, The Wind Up Bird Chronicle Pag-49
“- Hum hum.
- São bonitas, as cores.”
MURAKAMI, Haruki (2006), Crónica do Pássaro de Corda, CASA DAS LETRAS/EDITORIAL NOTÍCIAS, Cruz Quebrada –pag.93
Exemplo:
“In that case, my younger sister, Kano, will come to visit you at one o’clock.”
“ Kano?” I asked in a flat voice.
MURAKAMI, Haruki, The Wind Up Bird Chronicle Pag-49
“ -Nesse caso, será que a minha irmã Creta Cano pode ir ter consigo por volta da uma?
- Creta Kano? - Perguntei numa voz sem expressão.”
MURAKAMI, Haruki (2006), Crónica do Pássaro de Corda, CASA DAS LETRAS/EDITORIAL NOTÍCIAS, Cruz Quebrada –pag.94
Faz toda a diferença que esta personagem tenha feito uma imposição em vez de uma pergunta, não entendo a razão pela qual a tradutora alterou o sentido e o tom da conversa. Muito menos percebo por que é que o nome da personagem foi alterado.
Não vou continuar a ler este livro em português, pois arrisco-me a perder mais um livro de Haruki Murakami. Nunca mais vou comprar um livro cujo tradutor seja a Sra. Maria João Lourenço e espero que nunca traduzam livros pelos quais me interesso, pois perdi completamente a confiança na Casa das Letras.
Não sou, tradutora nem especialista no assunto, mas penso que não seria difícil fazer uma tradução mais fiel à dinâmica de Murakami bem como às suas palavras.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
querida Casa das Letras
Publicada por bilma à(s) 6/30/2011 01:48:00 a.m. 5 comentários
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Esta foi a primeira...
Publicada por Bruno Ferreira à(s) 10/21/2010 08:43:00 p.m. 1 comentários
Etiquetas: Pingo Doce, revolta
Pingo Doce, proteges o meu oceano?
Publicada por Bruno Ferreira à(s) 10/21/2010 08:40:00 p.m. 0 comentários
Etiquetas: Pingo Doce, revolta
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Festas da Portela & Farturas
Publicada por Bruno Ferreira à(s) 10/01/2010 02:10:00 p.m. 2 comentários
Etiquetas: farturas, festas da portela 2010
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Redes Sociais, Jericós e o blá blá blá!
Longe vai o tempo em que eu, um pré-adolescente, corria semanalmente para o edifício da Portugal Telecom na Av. Fontes Pereira de Melo, naquela ânsia de me sentar à frente de um computador, com o objectivo de experimentar o último grito (neste caso o primeiro!) em termos de comunicação, o IRC (ou Mirc? Nunca percebi lá muito bem a diferença…)!
Mas que raio? Qual a razão para esta corrida, mas principalmente, porque é que ia eu para o edifício da PT na Fontes Pereira de Melo…ansioso? É simples. Em primeiro lugar, aquilo a que hoje chamamos de chat (na altura isto era uma palavrão que ninguém tinha sequer ouvido falar…) estava na moda, sobretudo porque na mesma sala se conseguia juntar um conjunto de almas muito iluminadas, na expectativa de”comunicar” com alguém através de um PC ( a quantidade de nerds que partilhavam aquele espaço era deveras assustador…). Uiii, que excitação! Em segundo lugar, aquilo que hoje é um bem que passa quase por despercebido entre nós era praticamente inacessível para a generalidade das pessoas: a Internet. Para terem uma noção, 1 hora de chat (na realidade era 1 hora de Internet, mas para que é que o pessoal queria Internet nessa altura? Sites? emails? O que era isso?) custava aproximadamente 800 escudos (era muita massa para um puto com 14 ou 15 anos…). Bem, continuando com o meu raciocínio, lá ia eu semanalmente para o chat tentar “comunicar” com alguém que poderia ser, hipoteticamente, qualquer pessoa, de qualquer parte do mundo. Costumava ir em grupo, ou seja, não era eu a única alma desvairada a tentar “comunicar” com alguém a através de um PC. Era uma lógica de amigos: íamos para o chat como se fossemos para o café. Provavelmente, as duas meninas que vão ler isto não passaram pela mesma descoberta que eu, até porque são mais novas (SIM, UM ou DOIS anos fazem MUITA diferença nestas coisas, está bem?), mas o rapazinho que irá igualmente ler este texto virtuoso, ir-se-á lembrar com certeza: “Porra, pensava eu que era o único NERD da quadratura! Ufa, já me safei!”
Um pormenor curioso é que foi aí, nesse mesmo sítio, que nasceu o nick (o nickname) jericho. Tinha de arranjar qualquer coisa e na altura essa música dos Prodigy não me saia da cabeça.
Os tempos mudam (e muito!). Quem diria que, uns anos depois, aquele palavrão Internet estaria disponível para o consumo de qualquer mortal? Pois é, tornou-se acessível e a moda agora passava a ser o MSN Messenger.
- Opah, vai lá ao MSN pá gente falar!
Quantos de vocês se lembram disto, hein?
As meninas já se devem lembrar…tudo o que era amigo ia parar ao Messenger, para uma vez mais, ir para o chat.
A lógica não mudou. Durante muitos anos, todos nós utilizámos o chat (não havia dinheirinho no telelé para chamada ou SMS) para pôr a conversa em dia, combinar qualquer coisa, ou até para estudar (sim, também se estudava via Messenger, lembram-se?)!
Continuando, as lógicas não mudam…Isto sim era o início daquilo a que hoje se chama de Rede Social! (Phfuu! Rede Social...quem é que se lembrou disto? Talvez um sociólogo frustrado com qualquer coisa, que decidiu que o conceito de Rede + Social iria pegar…e pegou!)
Partilhavam-se ficheiros, enviavam-se bonequinhos e até se podia conversar por voz ou videoconferência. O Messenger era o maior!
Foi preciso vir um iluminado (e o conceito de Web 2.0) para se começar a chamar Rede Social a um chat.
O MSN saiu de moda, é verdade. Mas muito se deve a esse palavrão de Rede Social, que ultrapassou a palavra chat. (Tretas! Servem para a mesma coisa)
Um gajo mais novo do que nós teve uma ideia magnífica, aproveitando os recursos que a faculdade lhe dava. Mais, acho que roubou a ideia a uma série de colegas, mas pagou-lhes para ficarem caladinhos (segundo as minhas fontes…). Meteu uns joguinhos pelo meio (farmville blahhhkgggghhhh!), com quintas e tal, e a moda passou a ser o Facebook, um monstro da privacidade. Qual é a lógica disto? O que é que o Facebook tem assim de mais relevante que o Messenger?
Está na moda! E por estar na moda, desprestigiou a ferramenta mais utilizada até à data: a do blá blá blá.
Quem é que se importava há 10 anos atrás, com a “política de privacidade?”
Quem vai tramar o facebook, já que o facebook tramou o Messenger?
Publicada por Bruno Ferreira à(s) 9/14/2010 03:33:00 p.m. 2 comentários
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
when you think
you just have made a decision you start having doubts again
Publicada por bilma à(s) 8/22/2010 10:37:00 p.m. 2 comentários
Ele intimida-me.
Não aguento mais. Não consigo sequer cruzar o meu olhar com o dele. E no entanto ele continua ali, quieto, à espera que eu tome a iniciativa. Não se mexe um centímetro enquanto me olha em jeito de desafio. E eu, fraco, não sou capaz de o olhar nos olhos e fazer o que devia ter feito há mais de 3 dias.
Pronto, ganhaste.
Ganhaste!
GANHASTE!
Desisto! Não consigo olhar mais para ti, pesado, hirto, frio como um cubo de gelo. Perdoa-me preguiça, mas não sou capaz!
Ganhaste aspirador! E tu, preguiça, perdes sem ter sido vencida.
Publicada por r4 à(s) 8/22/2010 04:44:00 p.m. 0 comentários
segunda-feira, 31 de maio de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
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há ainda quem pense que quando tudo está mal vale a pena dar mais uma volta e continuar a dormir
pois, desenganem-se
quando estamos confortavelmente desconfortáveis para não ter de tirar a ervilha que está debaixo do colchão, esquecemo-nos dela.
mas quando olhamos para ela, um dia, com olhos de ver
surpresa
ela cresceu
Publicada por bilma à(s) 4/07/2010 08:23:00 p.m. 3 comentários


