Eu e a Débora descemos até a cave, cheirava a pão e sopa. Conheci a Doreza e a Carla. A Doreza estuda, é simples e simpática. A Carla não, tem filhos e marido, é adulta.
No chão estavam sacos grandes cheios de vários sacos pequeninos, que por sua vez, estavam recheados de pão e bolachas. Enquanto carregamos a carrinha chega o Joãozinho com um monte de caixas cheias dos melhores bolos que alguma vez provei. Vêm da Garrett do Estoril. Carregamos os bolos também enquanto a Carla fuma o primeiro cigarro da noite.Entramos na carrinha e não tenho expectativas absolutamente nenhumas, para dizer a verdade não pensei muito em como seria aquela noite.
Primeira paragem: Um homem tenta abrir a porta da carrinha, quer ver-nos e falar-nos. A Carla, num tom ríspido, diz que não pode fazer aquilo. O homem diz que ela não presta. A Carla não responde enquanto tranca todas as portas e a Doreza distribui roupa. Calçamos luvas de borrada e trazemos um colete amarelo florescente, coisa que a princípio não me incomoda. Há velhos mas também há novos. Limpos, bonitos. Poderia ter passado por estas pessoas no metro e nunca havia de pensar que vivem na rua. Outros são sujos, loucos. Uns gostam de falar, eu também gostava mas fico calada. O George não fala português, tem um boné azul-escuro e um brinco na orelha esquerda, pede-me um saco com pão e bolachas e um copo de Coca-Cola. Eu sorrio e ele diz sorry por ter chocado a mão dele contra a minha ao tentar apanhar o copo. Eu digo: no problem, ele sorri e diz: it’s my problem not yours. Tem olhos azuis e a pele queimada e eu vou ficando cada vez mais calada. O amigo do George está envergonhado mas ainda assim olha para mim e sorri, pisca me o olho em jeito de obrigado, não fala. Fico a vê-lo ir se embora com o saco e o edredon branco que a Doreza lhe deu, até que vira uma esquina e deixo de o ver. Uma senhora vem falar comigo e com a Débora diz-nos que odeia bêbados, fala-nos dela e do marido. A Débora fala com ela, eu sorrio. Entramos na carrinha novamente e os meus pensamentos são interrompidos pela enxurrada de palavrões e disparates que vêm do banco da frente. A Carla fala o caminho inteiro, fala de como bebia com 14 anos, fala de como a Doutora da instituição a elogiou no primeiro dia de ronda, de como se tornou responsável de ronda. Conta também como, em tempos, não conseguia apertar a fralda do filho por ele ser de muito boa saúde…lá em baixo. Tenho os ouvidos cheios e desejo que ela não fale mais, mas continua a insultar todos os condutores que se cruzam connosco. De vez em quando pergunta-nos porque estamos tão caladas. Eu não respondo.
Segunda paragem: Estacionamos nas cargas e descargas do Saldanha, a carrinha é rodeada de gente. Fico a ver a Débora afastar-se com uma caixa de bolos e luvas de borracha enquanto organizo os sacos e os copos que irei encher com Coca-Cola. Aparece uma senhora com tantas camadas de maquilhagem e pó de talco que consigo ver-lhe os pelos da cara brancos. Quer dar-nos dois beijinhos, a mim e à Carla, assim que a mulher se vai embora a Carla limpa as bochechas às mangas do casaco, diz que não gosta. Dou uma espreitadela por trás da porta aberta da carrinha, com os olhos, procuro a Débora. A seguir vem uma rapariga da minha idade, vê-se que vem da Europa de Leste. Não diz nada, não olha para mim, dou-lhe a comida, vai-se embora. Espreito outra vez, lá está a Débora a sorrir. Vem um senhor com vergonha de nos estender os taparueres para os enchermos de sopa. Já sou mais simpática, digo lhe para os deixar todos, não lhe vejo os olhos porque tem um chapéu a tapa-los mas gostei dele. Disse se faz favor e obrigado. A Débora entra na carrinha para ir buscar mais um saco de pão e bolachas e ao mesmo tempo que o procura pergunta ao homem que lho pediu se, por acaso, já não lhe tinha dado um. Ao que ele lhe responde: se já me tivesse dado um não lhe estava a pedir, não acha? Arrumamos, fechamos tudo e preparamo-nos para ir embora. Neste momento aparece um rapaz, pede um bolo, pergunto-lhe se não lhe tinha já dado um bolo. Chegamos à conclusão que tem um irmão muito parecido, não lhe tinha mesmo dado bolo nenhum. Paramos, abro a porta da carrinha e chamo-o para vir buscar o bolo. Abrimos tudo outra vez e ele diz me assim: diga me lá como é que se deixa a fome para a próxima? Pede mais um copo de Coca-Cola mas não o ouvi, por isso pedi desculpa. Olha para mim e diz me: nunca peças desculpa quando dás comida, nós, é que temos de pedir desculpa. Diz obrigada. Gostei dele também. Fico a vê-lo sentar-se numas escadas onde está o homem com o chapéu. É novo, bonito, não é ignorante, podia ter o mundo.
Vamos ao piso inferior da Gare do Oriente. Está lotado. Dois rapazes novos, 18, talvez 19 anos vêm ter comigo. As luvas começam a incomodar-me, o colete amarelo também. Enquanto circulo ali em baixo a entregar sacos e copos de Coca-Cola penso que devia passar despercebida, senti que tinha uma bandeira vestida a dizer: olhem para mim a dar comida aos pobres e senti-me idiota.Fazemos uma pausa. Comemos um folhado misto com alface, igual àquele que tantas vezes comprei por 5€ na Garrett para o almoço. Falamos das pessoas com quem estivemos, falamos das histórias delas. A Carla fica a odiar-me quando digo que nunca sabemos se as histórias que as pessoas contam são verdade ou não, diz que temos sempre de acreditar…mas desconfiando sempre. Achei que não valia a pena dizer mais nada mas ela continuou. Diz que nos serviços sociais as pessoas passam sempre à frente quando têm cunhas, quando conhecem alguém lá dentro, e diz: é uma tristeza, mas pronto, é o país que temos. A próxima frase é para dizer que tem um amigo cirurgião, e que por isso, fez um raio-X esta semana sem marcação nem tempo de espera. Logo a seguir desculpa-se e diz que ajuda os pobres. Acha que o facto de distribuir alimentos lhe dá o direito de transgredir as regras e de usar as cunhas que tanto critica. Fiquei calada.
Voltamos com meia caixa de sopa, os bolos, salgados, Coca-Cola e os sacos de pão e bolachas foram todos distribuídos. Há muitas carrinhas na rua a fazer isto. Não ajudamos ninguém. Mantemo-los vivos.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
sábado à noite
Publicada por bilma à(s) 2/26/2012 11:45:00 a.m. 2 comentários
domingo, 6 de novembro de 2011
um lago com pedras claras.
um lago com pedras claras. brancas cinzentas, poucas pretas. o lago era grande, tão grande que não conseguia ver onde terminava. havia árvores secas e pouco altas à volta. e atrás de mim também. havia um deck de madeira, nem clara nem escura, cor de mel. comprido, longo.
eu, sentia-me alta. tinha finalmente cortado o cabelo pelo meio do meu pescoço. não tinha mais franja, em vez disso o cabelo caia-me para o lado direito do rosto. com a mão direita punha-o atrás da orelha. tinha um vestido florido em tons de azul, de alças largas, justo até à cintura e depois um pouco mais largo, como uma pencil skirt, até antes dos joelhos. caminhava ao longo do deck. imagino-me como naquela música: your legs are two skiny dolphines swiming. tinha uns ténis brancos all star. sentia a irregularidade das pedras por baixo dos meus ténis. o sol não brilhava. não chovia. a luz era um pouco cinzenta. pus os meus óculos de sol, de forma redonda em baixo e direita em cima, com padrão de leopardo cinzento. primeiro em frente aos olhos, depois na cabeça. para me segurarem o cabelo.
depois caminhei até quase ao fim do deck. deitei-me no deck de barriga para baixo com o queixo sobre as mãos. via os peixes vermelhos, dourados, prateados e pretos. depois sentei-me com uma cana comprida que chegava à água. brincava com ela. entre os meus ténis e a água havia mais ou menos 50 centímetros de distância. sentia-me sozinha mas não estava incomodada porque ao mesmo tempo estava segura. a brisa leve, quase como um cliché, como um cliché, soprava-me a pele e o cabelo que agora não se mexia tanto como antes. estranhamente, o vento não me desacomodava, agora, era para mim agradável. como nunca foi. como nunca foi mas já tem sido. contudo, nunca como ali será.
levantei-me e fui até ao extremo do deck. estava só de pé, a ver, a olhar. as árvores. os peixes. os pássaros que voavam longe, na distância do céu cinzento claro. pus as mãos nos bolsos do meu vestido e olhei para o fundo do lago, ali era pouco fundo. se tivesse saltado, a água cobriria as minhas pernas apenas até ao meio das minhas coxas. tirei uma moeda prateada do bolso do meu vestido. como uma moeda de 50 escudos, grande e fina, mas não era. atirei-a com força para que chegasse o mais longe possível. e imaginei-a a cair, onde o lago já era mais fundo. a cair em espiral dentro de água, como se tivesse a ser puxada para o fundo. não sei o que isso significa. se é que existe algum significado nisto. será que me vou lembrar disto quando acontecer?
Publicada por bilma à(s) 11/06/2011 12:26:00 a.m. 3 comentários
quinta-feira, 30 de junho de 2011
querida Casa das Letras
Exmos. Srs.
Escrevo a propósito do livro MURAKAMI, Haruki (2006), Crónica do Pássaro de Corda, CASA DAS LETRAS/EDITORIAL NOTÍCIAS, Cruz Quebrada. Já li vários livros deste autor e desde o primeiro que li tornei-me fã. No entanto, sempre achei a linguagem um pouco estranha, ridícula por vezes, que não conseguia relacionar com o tipo de livro, autor, narrativa ou história. Encontrei expressões como por exemplo “pela parte que me toca” que a tradutora, Exma. Sra. Maria João Lourenço, usa repetida e erradamente ao longo de vários livros deste autor. A tradutora usa expressões portuguesas que só um falante da língua portuguesa poderia empregar, sempre me perguntei quais seriam as palavras em inglês que levariam um tradutor a usar tais expressões.
Assim, procurei um livro em inglês MURAKAMI, Haruki (2007) Blind Willow, Sleeping Woman, Vintage, London e logo entrei num mundo completamente diferente de todos os outros livros que tinha lido, em português, do mesmo autor. Mais sério, mais enigmático e subjectivo, não tão óbvio e saloio como a linguagem das traduções portuguesas. Pensei que, talvez, aquele livro tivesse sido escrito, propositadamente, de outra forma, pensei que tivesse sido intenção do autor atribuir um cunho diferente àquele livro.
Recentemente comecei a ler a Crónica do Pássaro de Corda e voltei a sentir o mesmo. Era um autor completamente diferente do de Blind Willow, Sleping Woman. Foi então que decidi procurar o mesmo livro em Inglês, a tradução oficial de Jay Rubin, e fazer a comparação. Foi assim que descobri que ando a ler um outro livro. Não estou a ler Murakami, estou a ler uma interpretação qualquer que vendem como se tivesse sido escrita por este autor.
Como podem verificar no exemplo a tradutora acrescenta coisas à edição portuguesa que não existem na versão em Inglês (vermelho), altera o nome as personagens (verde), frases simples transformadas numa trapalhada de repetições desnecessárias (cor-de-laranja) :
“Kano rang the doorbell at one o’clock on the dot. She looked exactly like her picture: a small woman in her early to mid-twenties, the quiet type. She did a remarkable job of preserving the look of the early sixties. She wore her hair in the bouffant style I had seen in the photograph, the ends curled upward. The hair at the forehead was pulled straight back and held in place by a large, glittering barrette. “ MURAKAMI, Haruki, The Wind Up Bird Chronicle Pag-50
“À uma em ponto, Creta Kano tocou à campainha. Era igualzinha à fotografia, sem tirar nem pôr. Pequena estatura entre os vinte e os vinte e cinco anos, com ar calmo. E, o que não deixava de ser extraordinário, arranjada dos pés às cabeça ao mais puro estilo dos anos sessenta. Se tivessem a filmar uma versão japonesa de American Garffiti, nem sequer precisava de mudar de roupa para lhe caber em sorte um papel de figurante. Tal como na fotografia, usava o cabelo ripado que eu vira na fotografia com as pontas viradas para fora, puxado para trás na testa e apanhado por uma bandelete larga e brilhante, igualzinha à da fotografia.” MURAKAMI, Haruki (2006), Crónica do Pássaro de Corda, CASA DAS LETRAS/EDITORIAL NOTÍCIAS, Cruz Quebrada –pag.95
A tradução é alterada deliberadamente e sem razão aparente como é possível identificar nos seguintes exemplos. Não entendo a razão pela qual a tradutora asubstitui a seu bel-prazer, o que foi escrito pelo autor, por outra coisa qualquer.
Exemplo:
“Uh-huh.”
“Very pretty,” he said.
MURAKAMI, Haruki, The Wind Up Bird Chronicle Pag-49
“- Hum hum.
- São bonitas, as cores.”
MURAKAMI, Haruki (2006), Crónica do Pássaro de Corda, CASA DAS LETRAS/EDITORIAL NOTÍCIAS, Cruz Quebrada –pag.93
Exemplo:
“In that case, my younger sister, Kano, will come to visit you at one o’clock.”
“ Kano?” I asked in a flat voice.
MURAKAMI, Haruki, The Wind Up Bird Chronicle Pag-49
“ -Nesse caso, será que a minha irmã Creta Cano pode ir ter consigo por volta da uma?
- Creta Kano? - Perguntei numa voz sem expressão.”
MURAKAMI, Haruki (2006), Crónica do Pássaro de Corda, CASA DAS LETRAS/EDITORIAL NOTÍCIAS, Cruz Quebrada –pag.94
Faz toda a diferença que esta personagem tenha feito uma imposição em vez de uma pergunta, não entendo a razão pela qual a tradutora alterou o sentido e o tom da conversa. Muito menos percebo por que é que o nome da personagem foi alterado.
Não vou continuar a ler este livro em português, pois arrisco-me a perder mais um livro de Haruki Murakami. Nunca mais vou comprar um livro cujo tradutor seja a Sra. Maria João Lourenço e espero que nunca traduzam livros pelos quais me interesso, pois perdi completamente a confiança na Casa das Letras.
Não sou, tradutora nem especialista no assunto, mas penso que não seria difícil fazer uma tradução mais fiel à dinâmica de Murakami bem como às suas palavras.
Publicada por bilma à(s) 6/30/2011 01:48:00 a.m. 5 comentários
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Esta foi a primeira...
Publicada por Bruno Ferreira à(s) 10/21/2010 08:43:00 p.m. 1 comentários
Etiquetas: Pingo Doce, revolta
Pingo Doce, proteges o meu oceano?
Publicada por Bruno Ferreira à(s) 10/21/2010 08:40:00 p.m. 0 comentários
Etiquetas: Pingo Doce, revolta
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Festas da Portela & Farturas
Publicada por Bruno Ferreira à(s) 10/01/2010 02:10:00 p.m. 2 comentários
Etiquetas: farturas, festas da portela 2010
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Redes Sociais, Jericós e o blá blá blá!
Longe vai o tempo em que eu, um pré-adolescente, corria semanalmente para o edifício da Portugal Telecom na Av. Fontes Pereira de Melo, naquela ânsia de me sentar à frente de um computador, com o objectivo de experimentar o último grito (neste caso o primeiro!) em termos de comunicação, o IRC (ou Mirc? Nunca percebi lá muito bem a diferença…)!
Mas que raio? Qual a razão para esta corrida, mas principalmente, porque é que ia eu para o edifício da PT na Fontes Pereira de Melo…ansioso? É simples. Em primeiro lugar, aquilo a que hoje chamamos de chat (na altura isto era uma palavrão que ninguém tinha sequer ouvido falar…) estava na moda, sobretudo porque na mesma sala se conseguia juntar um conjunto de almas muito iluminadas, na expectativa de”comunicar” com alguém através de um PC ( a quantidade de nerds que partilhavam aquele espaço era deveras assustador…). Uiii, que excitação! Em segundo lugar, aquilo que hoje é um bem que passa quase por despercebido entre nós era praticamente inacessível para a generalidade das pessoas: a Internet. Para terem uma noção, 1 hora de chat (na realidade era 1 hora de Internet, mas para que é que o pessoal queria Internet nessa altura? Sites? emails? O que era isso?) custava aproximadamente 800 escudos (era muita massa para um puto com 14 ou 15 anos…). Bem, continuando com o meu raciocínio, lá ia eu semanalmente para o chat tentar “comunicar” com alguém que poderia ser, hipoteticamente, qualquer pessoa, de qualquer parte do mundo. Costumava ir em grupo, ou seja, não era eu a única alma desvairada a tentar “comunicar” com alguém a através de um PC. Era uma lógica de amigos: íamos para o chat como se fossemos para o café. Provavelmente, as duas meninas que vão ler isto não passaram pela mesma descoberta que eu, até porque são mais novas (SIM, UM ou DOIS anos fazem MUITA diferença nestas coisas, está bem?), mas o rapazinho que irá igualmente ler este texto virtuoso, ir-se-á lembrar com certeza: “Porra, pensava eu que era o único NERD da quadratura! Ufa, já me safei!”
Um pormenor curioso é que foi aí, nesse mesmo sítio, que nasceu o nick (o nickname) jericho. Tinha de arranjar qualquer coisa e na altura essa música dos Prodigy não me saia da cabeça.
Os tempos mudam (e muito!). Quem diria que, uns anos depois, aquele palavrão Internet estaria disponível para o consumo de qualquer mortal? Pois é, tornou-se acessível e a moda agora passava a ser o MSN Messenger.
- Opah, vai lá ao MSN pá gente falar!
Quantos de vocês se lembram disto, hein?
As meninas já se devem lembrar…tudo o que era amigo ia parar ao Messenger, para uma vez mais, ir para o chat.
A lógica não mudou. Durante muitos anos, todos nós utilizámos o chat (não havia dinheirinho no telelé para chamada ou SMS) para pôr a conversa em dia, combinar qualquer coisa, ou até para estudar (sim, também se estudava via Messenger, lembram-se?)!
Continuando, as lógicas não mudam…Isto sim era o início daquilo a que hoje se chama de Rede Social! (Phfuu! Rede Social...quem é que se lembrou disto? Talvez um sociólogo frustrado com qualquer coisa, que decidiu que o conceito de Rede + Social iria pegar…e pegou!)
Partilhavam-se ficheiros, enviavam-se bonequinhos e até se podia conversar por voz ou videoconferência. O Messenger era o maior!
Foi preciso vir um iluminado (e o conceito de Web 2.0) para se começar a chamar Rede Social a um chat.
O MSN saiu de moda, é verdade. Mas muito se deve a esse palavrão de Rede Social, que ultrapassou a palavra chat. (Tretas! Servem para a mesma coisa)
Um gajo mais novo do que nós teve uma ideia magnífica, aproveitando os recursos que a faculdade lhe dava. Mais, acho que roubou a ideia a uma série de colegas, mas pagou-lhes para ficarem caladinhos (segundo as minhas fontes…). Meteu uns joguinhos pelo meio (farmville blahhhkgggghhhh!), com quintas e tal, e a moda passou a ser o Facebook, um monstro da privacidade. Qual é a lógica disto? O que é que o Facebook tem assim de mais relevante que o Messenger?
Está na moda! E por estar na moda, desprestigiou a ferramenta mais utilizada até à data: a do blá blá blá.
Quem é que se importava há 10 anos atrás, com a “política de privacidade?”
Quem vai tramar o facebook, já que o facebook tramou o Messenger?
Publicada por Bruno Ferreira à(s) 9/14/2010 03:33:00 p.m. 2 comentários
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
when you think
you just have made a decision you start having doubts again
Publicada por bilma à(s) 8/22/2010 10:37:00 p.m. 2 comentários
Ele intimida-me.
Não aguento mais. Não consigo sequer cruzar o meu olhar com o dele. E no entanto ele continua ali, quieto, à espera que eu tome a iniciativa. Não se mexe um centímetro enquanto me olha em jeito de desafio. E eu, fraco, não sou capaz de o olhar nos olhos e fazer o que devia ter feito há mais de 3 dias.
Pronto, ganhaste.
Ganhaste!
GANHASTE!
Desisto! Não consigo olhar mais para ti, pesado, hirto, frio como um cubo de gelo. Perdoa-me preguiça, mas não sou capaz!
Ganhaste aspirador! E tu, preguiça, perdes sem ter sido vencida.
Publicada por r4 à(s) 8/22/2010 04:44:00 p.m. 0 comentários
segunda-feira, 31 de maio de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
.
há ainda quem pense que quando tudo está mal vale a pena dar mais uma volta e continuar a dormir
pois, desenganem-se
quando estamos confortavelmente desconfortáveis para não ter de tirar a ervilha que está debaixo do colchão, esquecemo-nos dela.
mas quando olhamos para ela, um dia, com olhos de ver
surpresa
ela cresceu
Publicada por bilma à(s) 4/07/2010 08:23:00 p.m. 3 comentários
quinta-feira, 18 de março de 2010
Tinhamos
feito um juramento.
tinhamos ou não tinhamos?
hum hum?
Publicada por bilma à(s) 3/18/2010 10:43:00 p.m. 6 comentários
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Beijing

Não é que seja uma entendida no desporto mas, gosto de acompanhar os atletas portugueses em Beijing e a ginástica e a patinagem artística também. Hoje vi a partida de badminton de Marco Vasconcelos vs Anup Sridhar. Prendi-me ao jogo porque sempre gostei muito de jogar badminton na escola, na verdade a única coisa que me dava algum gozo nas aulas de Educação Física. À partida torço pelos portugueses mas, desta vez fiquei, ao início, indecisa. O Anup é indiano e apesar de começar a perder, simpatizei logo com ele e com o jogo dele. Sempre calmo e bastante concentrado ganhou a Vasconcelos, que jogou com mais agressividade, os dois set’s.
Agora, vou ver os restantes jogos do Anup e esperar que ele chegue ao pódio, afinal sou metade indiana!
Publicada por bilma à(s) 8/11/2008 01:33:00 a.m. 15 comentários
sábado, 2 de agosto de 2008
Burocracia á moda portuguesa na cidade lisboeta
Quando pensamos que todas as leis são coerentes e que servem para, de facto, alguma coisa, enganamo-nos redondamente. Eu descobri-o da pior forma.
O objectivo era concretizar a candidatura de transferência para um curso no ISCTE. Os documentos pedidos eram, aparentemente, razoáveis. Para ser justa a transferência de um aluno do ensino superior estrangeiro para o ensino português, entende-se que o candidato deve provar a finalização do ensino secundário bem como a realização da prova da especifica correspondente ao curso, ao qual se candidata. Concordo, tal e qual como os alunos portugueses. Agora, o que já acho absurdo é que sejam precisos 4 papéis a certificar precisamente a mesma coisa! Um da escola de origem, outro da embaixada, outro do ministério e outro da escola secundaria!!!! Um dia inteiro na embaixada, uma manhã no ministério, uma tarde na escola secundária, somam-se dois dias de pura burocracia, sem contar com as horas de espera na infinita secretaria do ISCTE.
Devo, contudo dizer que, ao longo deste penoso percurso encontrei pessoas muito prestáveis e simpáticas das quais não poderia prescindir para completar o processo. Na embaixada, a senhora Martina desencantou uma tabela de equivalências entre as notas checas e a escala portuguesa de 0 a 20. Já no ministério, a senhora Fernanda Ratão conseguiu com que os seus colegas me despachassem o documento de equivalência do ensino secundário em algumas horas. Sem falar na senhora Gisela do ISCTE que esteve sempre pronta a ajudar-nos a obter a documentação necessária ou da directora da Ferreira Dias que ficou na escola, para além do seu horário de trabalho para passar a declaração. Fiquei contente por saber que ainda existem pessoas dispostas a ajudar outras em troca de nada.
Outra coisa que confirmei foi que os transportes em Lisboa são ridiculamente caros, numa cidade em que viajar neles é imensamente demorado e sem nunca nos levarem até onde realmente queremos sem sermos obrigados a apanhar 3 ou 4 autocarros ou comboios que, ainda por cima, pertencem a 1001 diferentes companhias. Do Cacém a Belém o autocarro custa 2.75€ por viagem, por pessoa, o que significa que a viagem fica 3 vezes mais cara andando de autocarro do que de carro, para já não falar que o autocarro nos deixa muito longe da rua a que queríamos aceder. E é então que penso: para quê um preço tão exagerado se só há autocarros de meia em meia hora, ou de hora a hora e só existem horários numa paragem (a de onde o autocarro parte), obrigando-nos a ficar na paragem sem saber se o autocarro chegará dentro de 2 ou 50 minutos. Depois percebi que só podia ser para o par de televisões que foram instaladas em cada autocarro! Cada empresa tem as suas prioridades!
Nos eléctricos da Carris, só se pode comprar o bilhete dentro do veículo que, por acaso, apenas aceita moedas. O quiosque da Praça da Figueira, aparentemente deixou de funcionar, por isso se não tivermos connosco 1.40€ por pessoa teremos de ir chorar por trocos a um café ou algo parecido. O comboio da CP e o metro parecem ser os mais decentes, apesar de achar o comboio ainda caro.
O Simplex devia estender-se às universidades também. E se não queremos ser o país onde mais se utilizam viaturas próprias, toda a rede de transportes portugueses devia ser repensada.
Publicada por bilma à(s) 8/02/2008 12:28:00 a.m. 0 comentários
domingo, 22 de junho de 2008
D. Bilma dará à Costa! Brevemente..
É a notícia de última hora. E, depois de tanto tempo de silêncio, está é a altura ideal para reaparecer, visto que, a notícia era esperada há muito..
D. Bilma dará à Costa portuguesa dentro de dias, mais precisamente, dia 5 de Julho, sim, deste mesmo ano de 2008!
Consta que, segundo a dita D. Bilma, a sua ausência prolongou-se por oito meses, é certo que, deste período, haverá muito por contar, mas o que será que se passou mesmo?! O que deveremos esperar? É que, a Srª terá dito que não tinha aprendido checo, contudo, escreve sms's em checo ;). Pois, fonte próxima, não dominando a língua checa, afirma que a D. Bilma escreveu a hora prevista de chegada à Costa portuguesa em checo.
Assim, contamos, em breve, dar conta dos últimos pormenores desta tão importante chegada.
Vamos esperar por mais notícias..
Publicada por viv à(s) 6/22/2008 01:22:00 p.m. 2 comentários
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Em bom português!
Já se esqueceram dos palavrões? Aqui tão todos!
Publicada por r4 à(s) 6/18/2008 09:56:00 p.m. 0 comentários
Pen Spinning vs. Electricity
Só é giro se virem até ao fim
Publicada por r4 à(s) 6/18/2008 11:59:00 a.m. 0 comentários
segunda-feira, 16 de junho de 2008
A Bilma no estrangeiro
Oito meses depois, e quase de volta a terras lusitanas aqui estão os amores, as saudades, as dificuldades, os problemas linguísticos de ser uma imigrante na República Checa.
Ao princípio, por ser novidade as dificuldades são sentidas de forma menos intensa e com boa disposição. Uma simples ida ao supermercado pode-se tornar num imbróglio de palavras checas e inglesas infindável. Por exemplo, quando vou a pagar esqueço-me de pesar a alface, como é que pergunto a uma velhota se posso ir pesa-la? Ou então, ela pergunta-me que recheio tem o bolo que escolhi (agora já sei dizer maçã). Nas aulas de yoga copio tudo, estão todos muito compenetrados em posições de equilíbrio e eu a espreitar, pelo canto do olho, e ao mesmo tempo a ver se não caio. Primeiro pensei que ia aprender checo, mas os curso aqui são muito caros e como tinha aulas de checo, sem pagar no emprego dos telefones, comecei a ir as aulas. Bastou-me ir a 3 para ver que não ia resultar, não era só o mau aspecto do prof mas o seu método, para além de aquele nível ir já adiantado em relação ao que tinha aprendido, o homem queria que eu fizesse os exercícios sem me explicar como os fazer! Enfim foi passando o tempo e não aprendi. Agora já sei fazer pedidos, mas nada muito elaborado. Coisas básicas só.
O racismo, isso é uma coisa que não é muito óbvia. De vez em quando lá se vê um skinhead, mas não dizem nada. O pior são os revisores, podem aparecer dentro do metro ou nas estações. Mostram-nos uma coisa, tipo distintivo, e nós temos de mostrar os bilhetes, não nos podem tocar, por isso podemos correr à vontade, a não ser que ele se faça acompanhar por um polícia. Assim que me vêem até correm só para verem o meu passe, se estão longe andam até mim. Só não me pedem o bilhete se não me virem. Há muitos vietnamitas a viver aqui, e as imensas lojas do chinês, há cada vez mais indianos ou paquistaneses (não sei), mas simpatizamos sempre e as vezes sorrimos.
As saudades são muitas, de muita coisa e de muita gente! Bacalhau com natas, por exemplo, já experimentei mas aqui só vendem postas frescas, uma fortuna e com metade do sabor. Mas o Gulash checo também é muito bom. O sol quase nunca o vejo, o meu irmão disse-me que estava branca e o meu pai também. Parece que o futebol é o que nos une mais. Junta-se um molho de portugueses e lá vamos nós ver a selecção no meio dos checos. Ao sabor da cerveja checa que é muito boa, a super bock que me desculpe, mas aqui são melhores. Acabamos, alguns bêbados, outros alegres a falar de Portugal num fado triste e nostálgico.
Publicada por bilma à(s) 6/16/2008 08:33:00 p.m. 1 comentários
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Dança de Montalegre
Tem piada a partir dos 50 segundos!
Publicada por r4 à(s) 2/01/2008 02:52:00 a.m. 0 comentários


